sábado, 10 de dezembro de 2011

Por um fio

Eu estive exausta.
Pensei em desistir de tudo.
Essa não era a vida que eu queria.
Eu me desconheci.
Onde estava a minha força? Perdida ou esquecida?
Não aguentei mais caminhar sozinha,
os meus passos foram sempre circulares,
andei em círculos por décadas,
fiquei tonta várias vezes, não suportei mais uma queda.
E a minha paz, que só a encontrava fora, por fora?
O meu sossego, meu equilíbrio? Sempre no outro, sempre os outros?
Autonomia foi uma ilusão. Nunca a conquistei. Nunca foi minha companheira.
De tantas máscaras, já não tinha mais rosto.
Para que fingir, para quem?
Por que me pressionar tanto para estar bem, para quem? Para quê?
Por muitas vezes me pensei covarde por não acabar com essa angústia,
essa vontade de me rasgar, de explodir. Essa agonia que sufocava.
Eu pensava: A vida é só isso? Só vai ser isso?
Na verdade, eu esperava uma ajuda, uma mudança, um milagre.
Qualquer coisa que viesse de fora, porque, por dentro, eu me sentia em ruínas.
Eu, que tinha tanto medo de não viver, de não estar vivendo,
acabei vegetando, um zumbi me tornando.
No final de linha, eu resolvi pedir informação.
Já não havia luz, nem casas, tampouco algum sinal de civilização.
Mas havia àquela condução, que passava com horário marcado,
na primeira lua nova de cada mês.
Para onde eu iria, se eu estava por um fio?
(...)
Ainda não sei o que dizer.
Estou no início da minha auto recuperação.
Me agarrei àquela que enxerguei como sendo a ultima chance.
Melhor seria encarar como última tentativa. Já não conseguia mais.
Por muito tempo pensei que somente pessoas fracas
precisariam de auxilio terapêutico.
Eu queria ser forte.
Acabei percebendo que eu não sabia o que era ter força.
Não sabia mais o que era viver.

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