domingo, 6 de abril de 2014

Dono das águas




Teus olhos verdes eram meu recanto, águas no sertão, lugar onde eu podia respirar.
No teu abraço o meu abrigo eu encontrei, por que deles me apartei?
Por que as complexidades da vida cotidiana fizeram cessar nosso sorriso?
Eu quis fazer do teu mundo um reino. Bruxa da varinha quebrada, perdi
todos os meus encantamentos.
Não te beijei e de sapo viraste príncipe.
Príncipe sempre foste, e todo o teu reino está no teu peito, abafado pelos  desencontros da tua própria existência.
No meu peito tem escrito o teu nome. E no meu passo, o teu passo.
Na minha saudade sempre tua lembrança.
Na minha solidão, a vontade absurda te ver superando todos os teus limites e sendo a estrela de sétima grandeza, tua verdadeira face.
Fecha teus ouvidos para as mentiras que o mundo te disse. Transcende.
Tua pele de porcelana, teu sono sublime, teu corpo pintado de sonho.
Tua alma é um pássaro. Chega de gaiola.
Abre tuas asas, o teu canto deve ser ouvido nas árvores
E chega ser maldade com a Natureza, ouvir teu canto triste de ave sem esperança, desde que te prenderam e amarraram tuas asas no engano das palavras.
Dono das águas, sê como teu domínio, maleável, sempre encontrando caminhos para prosseguir e modificando e alimentando tudo que existe.
Pinta os dias e as cidades com tuas tintas, desenha nas veias do mundo a tua verdade.

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