terça-feira, 30 de setembro de 2014

Significado

Coluna reta. Peito aberto. Respirando fundo ela segue.
Ano difícil. A depressão voltara com seus sintomas levianos
e insistentes.
Perdera aquele que pensava ser o grande amor da sua vida.
Aliás, perdera muitas pessoas que amava, amou.
Perdeu duas oportunidades incríveis de emprego.
Perdeu diversas vezes a viagem, a auto estima, o interesse, a memória.
Voltou a terapia, fez yoga, cursos para uma vida alternativa, pela
busca de curas alternativas.
Promessa ilusórias da filosofia da felicidade. Prosperidade.
Tudo é só uma questão de fé. Se você acreditar muito numa coisa
e repetir mentalmente e verbalmente, aquilo acaba se tornando verdade.
Quase desenvolveu esquizofrenia.
Confundiu as pessoas, misturou atitudes, dormiu ao relento, caminhou madrugada adentro.
E o mundo, o que ele falava?
Desistiu de tudo.
Um velho amigo apertou-a entre os braços: "Não desista de nada! Não importa o que seja, vá até o fim."
Mas vai ver o fim não seja exatamente o ponto final.
Certezas? Não tem mais.
Lembranças? Quando vêm tocam flautas, pífanos, e bumbo, afastando os maus agouros.
E o sono que anda sumido?
E a tireóide que anda enfurecida?
O tumor será benigno ou maligno?
E depois de tanto tempo resolveu assistir aquele filme onde as estrelas são culpadas. E chorou tanto que comprou o livro, que também adiara por anos.
A personagem sofria de câncer na tireóide.
O aperto não era a morte, mas como ela acontecia.
Era o processo.
O processo é o que sempre dói.
E desistiu de tudo o que era antes.
Vai voltar a nadar, fazer aula de canto, praticar yoga, não se sentir tão cansada, não chorar toda noite. Tomar rivotril para não entrar em pânico...
Calma... Respira... Pensa na cor índigo, na cor azul percorrendo o seu corpo inteiro. Você é só respiração.
E com quem ela vai conversar? O mundo anda muito ocupado.
Vai cantar porque falar já não consegue.
Vai nadar porque andar já não é o suficiente.

Ela lembra da menina loirinha na roda gigante.
Do cantor que fala de amor.
Do carinho das ondas do mar.
Das terras nos jardins com manhãs de sol.
Dos banhos de chuva pela rua, enxurrada ladeira a baixo.
Dos olhos azuis dele. Abertos, fechados. Da sua respiração.
Se uma dia perguntarem do que ela mais gosta, do que no mundo mexe mais
com ela, com as emoções dela, o corpo dela, o alvoroço de seus sentidos.
ela vai suspirar e dizer: "Nada é tão lindo quanto um sorriso. 'Um sorriso cheio de estrelas'"



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