segunda-feira, 3 de abril de 2017

Contemplação



Tinha e teria muitas coisas a compartilhar, mas no fundo sentia que não era preciso naquele momento.

O via desde que tinha uns 22 anos. E olha que agora beirava os 33. Era de 84, mas isso não era importante. 
Via pelas ruas. Na verdade, a primeira vez que o viu o que lhe chamou a atenção foi a semelhança que ele tinha com aquele amor antigo, o amor de sempre, o que nem sabia que era amor. 
Passado um tempo o motivo mudou, deixou de ser.

Depois que conseguiu sentir a sua energia, ver o universo que, ao passo que se continha, ameaçava expandir do seu olhar. 
Ele se tornou aquelas aparições que fazem a vida parar por alguns segundos, onde tudo se torna contemplação. Onde todo pensamento é varrido da memória. E o que fica é a vida em sua matéria mais pura.
Agradecia imensamente a oportunidade de tê-lo conhecido de perto. 
No fundo, ele sabia de todas as coisas que precisava para a sua história ser linda, suave, cheia de satisfação, realização, ainda que perceber e admitir estivesse sendo um caminho difícil. E quando ele queria, ele ia. Fazia. Ela sabia, de uma maneira ou de outra, ele sempre acabava encontrando o melhor caminho.

Não era seu irmão, nem seu pai, tampouco seu filho ou qualquer outro parentesco... ou fez algo de imenso para ter o significado que tinha. Também não era necessário. 
Mas ele a iluminou e a iluminava. Não que ela estivesse no escuro. 
"É como pisca-pisca ou vaga-lume, apenas acorda aquela sensação de encantamento e conforto quando os vemos piscando ou luzindo... aonde quer que seja."
Ele era o pisca-pisca da árvore de natal encantada. 



Um comentário:

Rafael Ferreira disse...

Contemplar é ser também contemplado.
Silenciar é manter a contemplação intacta. Sem sombras.
Luzes, mesmo que vagas... Lume

Adorei.
Um Beijo!