domingo, 21 de maio de 2017

No centro da vida

Parada no centro do dia, olhava ao redor e não fazia parte daquela realidade,
daquelas vidas que anteriormente se encaixavam como quebra cabeça, ilusão do tempo.
Enlouqueceu e nem se deu conta.
Não reparou que não era linear, em espiral funcionavam os seus pés.
Buraco no meio do peito. Nem morrer adiantava.
Era a mais profunda e irremediável agonia. Era o não conseguir ser. Vontades de acabar.
Não entendia muito de matemática, mas aquela conta estava errada, operação de sinais desleal
tanto mais e para ela só menos, só negativos.
De onde mais iria embora agora? O que mais lhe atormentava era a lembrança da escravidão,
era a dor sem remédio do deixar-se escravizar.
Quebraram suas asas. Pura vaidade. Tudo vaidade.
Rodopia no salão da memória, com seu vestido em fiapos, alma rasgada,
boca balbucia feridas, olho que grita.
E agora vida? Para onde vai? Ela que era feita de estrela.
Anda agora zumbizando, dá até pena de olhar aqueles olhos assim.
Experimentei dia desses sua lágrima, puro amargor, até o gosto fazia doer.
Seu gemido era uma canção de solidão a sofrer na noite, no dia, no sempre.
Eu pensei que um amor poderia trazer ela de volta, um amor bem grande, daqueles
de coração intenso, de muita sede e um tanto grande de sonho.
Eu pensei e pedi a deusa do amor se ela podia ceder um pedaço do encanto dela
e do pedaço cedido nasceria o ele para ela. Nasceriam um para o outro.
A deusa sorriu o seu sorriso de sedução e disse que tinha um presente maior.
Que horas? Ela respondeu "Agora". (...) Nunca soube sobre o tempo ou a dinâmica dos deuses.
Eu queria dar um par de asas novas para ela. Quem sabe se ela voar novamente ela se recupera...
Rodopiando no centro da vida, ela, borrada e distante... ela que era saborosa, agora só amargor.
Vou espremer o coração dela, feito laranja madura, para sair "o de ruim".
Vem sair da tua escuridão, foram dias demais. Imerecidos.
Rodopiando ela vem.

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