quarta-feira, 28 de junho de 2017

Sonho de uma pedra

Estendo a mão e quase sinto meus dedos tocarem o face esquecida então a lembrança se desfaz como fumaça... Num efeito do sonho sou sugada e colocada em outra realidade Não consigo acompanhar os acontecimentos Olho o cenário dos bastidores procurando reconhecer o que é encenado Todas as ações se passam a nenhuma delas eu me conecto Quero sair Sair de mim Não há portas somente corredores Vago por eles... Mão nos cabelos corpo encolhido grito silencioso olhos apertados braço enxugando as lágrimas tenta acordar a boca Como posso tirar esse desespero que pulsa no peito Nada nem ninguém Densidade Mergulhei sem seguranças para voltar à superfície Quando cheguei estava congelada Em vão toco a grossa camada de gelo Chutes e socos não farão com que ela se quebre Aperto os olhos e deixo-me congelar descer até as profundezas feito chumbo Nenhum acontecimento cósmico Nenhum cometa cruzou a atmosfera Nenhuma estrela se apagou ou acendeu a noite Sou pedra sonhando  transmutar-se em água Evaporar


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